domingo, 4 de junho de 2017

Jornalista Baby Garroux: Minhas homenagens aos médicos missionários dando a vida às pessoas, independente de cor, raça ou nacionalidade...




Hoje é dia do Dr. Tom Catena que aos 53 anos se formou em Medicina graças a uma bolsa da Marinha americana, não tem consultório chique para impressionar aos clientes, e trabalha nas montanhas Nuba, no Sudão, driblando a caça das Forças Armadas sudanesas que sobrevoam a área bombardeando alvos inimigos. Originário da cidade de Amsterdam, Estado de Nova York, chegou às montanhas Nuba há nove anos, depois de seis no Quênia, escolhido por ser um lugar "onde havia uma imensa necessidade de médicos".

Que vida!!!!... A etnia Nuba que atende, vive em meio ao fogo cruzado entre as forças governamentais e a guerrilha Frente Revolucionária do Sudão desde 2011. É o único missionário americano médico que atende uma população de 750 mil pessoas no local gratuitamente e independente religião ou implicação no conflito armado,. Os Nuba se dividem entre católicos, muçulmanos e uns poucos animistas.



"A dor mais excruciante que você pode imaginar é ver seus pacientes morrerem. A parte mais difícil do meu trabalho. Você sente que toda a tristeza e dor do mundo pesam sobre a tua cabeça, apertam o teu peito e você não consegue nem respirar. O impacto psicológico é tão grande que a dor se torna física", afirma em entrevista à BBC Brasil.

Catena atende no hospital Mother of Mercy, 400 pacientes em um só dia: "Você vai à pediatria e encontra uma criança com queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo, causadas por uma bomba incendiária, e morre em seus braços. Na área feminina, uma mulher com câncer de mama em fase terminal morre ao lado de outra paciente a quem você teve que amputar uma perna por ter pisado em uma mina terrestre. Na maternidade uma grávida com toxemia e pré-eclâmpsia tem uma convulsão e morre ao dar à luz. Na área masculina um dos soldados que você operou um dia antes morre. Você tenta explicar à família o que aconteceu. Como????... Na tenda que instalamos para tratar os pacientes de uma epidemia de sarampo, você vê uma mãe gritando, rolando no chão, chorando porque seu bebê acaba de morrer de sarampo."



E como desistir quando um garoto sorrindo se aproxima com uma bola e me chama para brincar ou ouço o agradecimento de uma mulher que carrega nos braços o filho amputado???..... São coisas simples que me fazem resistir: 'doutor, por favor, não nos abandone'. Aí você recobra os sentidos e percebe que é a única esperança para essas pessoas que foram traumatizadas, oprimidas por séculos. É realmente a minha fé que me move. Sempre fui muito inspirado por São Francisco de Assis. Queria viver uma vida simples, dedicada a ajudar", conta ele católico fervoroso.

Hoje ele conta com uma equipe de 60 enfermeiros locais, entre eles dois anestesistas e alguns menores de idade "com formação ainda insuficiente". Faltam equipamentos, a eletricidade depende de um gerador e de painéis solares, a água vem de poços artesanais, e os medicamentos são adquiridos em Uganda ou Quênia e levados ao hospital clandestinamente, complicadas e caras.


"Escuto os aviões circulando sobre nossas cabeças e penso: 'será que não sabem que há gente aqui embaixo?“. Há uma diferença de valor. Há um grupo que pensa que sua vida é mais importante que a de outros. Uma estratégia nojenta. Quando você bombardeia um hospital desmoraliza as pessoas. Não se trata só de vidas perdidas, estruturas destruídas. Os efeitos psicológicos são devastadores. É uma guerra psicológica contra a população."

Omar al-Bashir é buscado desde 2009 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), que o acusa de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na região sudanesa de Darfur, palco de guerra civil que levou à divisão do país com a criação do Sudão do Sul, em 2005.

Há pouco mais de um ano, Catena se casou com uma nuba e deseja ter filhos em breve, algo "muito importante" na cultura de sua esposa.



"Estamos treinando muita gente. Há dez pessoas em escola de enfermagem, seis em clínica geral. Espero e rezo para que esses caras voltem e venham com disposição e dedicação, para que possamos realmente começar a melhorar a atenção médica na região, com a população nuba treinando outros nuba. O objetivo é que os locais passem a administrar o hospital", explica.


O trabalho de Catena foi reconhecido neste ano com o Prêmio Aurora pelo Despertar Humanitário, entregue em 28 de maio em Erevan (Armênia).

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