quarta-feira, 2 de dezembro de 2009



Mais violência 


contra as mulheres: 


agora na Suíça




Nenhum país construiu mais bunkers do que a Suíça. A mais extensa geleira da Europa está na Suíça. Os suíços são os campeões do mundo em viagem de trem, da reciclagem de vidro e do consumo de chocolate. A Suíça detém inúmeros recordes, mesmo se alguns são contestados e nem todos são gloriosos. E agora, na violência contra as mulheres.


Milhares são vítimas de violência física, sexual e psicológica, de violência estrutural como diferenças salariais. Várias ONGs (60), na Suíça alemã, iniciaram a campanha "16 dias contra a violência à mulher", cujo principal objetivo é sensibilizar a população para o problema. A campanha começou em 25 de novembro, oficialmente o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres (criado em 1991 pela ONU e comemorado pela 2° vez na Suíça) e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.


A ministra da Justiça e Polícia lembrou-se de recentes estudos que mostraram que, na Suíça, uma mulher em cinco é vítima de violência física ou moral na sua vida adulta e que 40% das mulheres sofrem violências psicológicas. Face ao problema, "todos nós devemos agir. As leis existem. É necessário aplicá-las", concluiu. Desde 2004, a violência doméstica não é mais considerada como "um assunto privado", mas sim um crime. Essa foi uma mudança importante, sobretudo pelo fato do "lugar mais perigoso para as mulheres ser o próprio lar" na Suíça, como lembra Cécile Bühlmann, diretora da organização feminista Serviço Cristão para a Paz.


Outra carência revelada pela especialista, são as mulheres imigrantes vítimas de violências conjugais. "Frequentemente elas só têm duas alternativas: continuar com seus maridos violentos ou entrar com um processo de divórcio e, dessa forma, correr o risco de perder seu visto de residência e a guarda das crianças." A Secretaria Federal de Migração criou um visto de residência para as mulheres que se encontram nessa difícil situação.



É indispensável romper o muro do silêncio. Algumas fissuras já aparecem: "há vinte anos, esse tema não estava no debate político", observa Amanda Weibel. Hoje o tabu caiu parcialmente, mas ainda não basta. "Continua sendo difícil conscientizar as vítimas". Por isso, é necessário incentivá-las a falar.

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