quarta-feira, 2 de dezembro de 2015






"Foi diagnosticada uma nova doença no Brasil. Chama-se “Mal de Bumlai”. A exemplo de alguns outros males, também provoca esquecimento — só que é um esquecimento seletivo. A pessoa não se lembra justamente de aspectos pouco abonadores de sua biografia ou que lhe garantem um lugar na cadeia.

O pecuarista José Carlos Bumlai depôs na Polícia Federal nesta segunda. E, ora vejam, negou uma relação de amizade com o ex-presidente Lula. Como vocês sabem, a 21ª fase da Lava-Jato se chama “Passe Livre” em referência a um aviso que havia na portaria principal do Palácio do Planalto quando Lula era presidente. Lá estava escrito: “O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de atendimento na portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em qualquer tempo e qualquer circunstância”. Junto com o texto, uma fotografia do empresário. Amizade com Lula? Bem, vai ver eram só negócios, então.

Segundo Bumlai, no ano passado, os dois estiveram juntos três vezes. Lula, afirmou ele, esteve apenas uma vez em uma propriedade sua, em 2002.

Mais curioso: o empréstimo de R$ 12 milhões contraído junto ao Banco Schahin, disse ele, foi destinado à compra de uma fazenda e nada tinha a ver com o PT.

Confrontado com a informação prestada pelos próprios diretores do banco, segundo a qual Delúbio Soares compareceu em pessoa para celebrar o acordo, já que o dinheiro era para o partido, o amigão de Lula disse não se lembrar de ter se reunido com o ex-tesoureiro petista. Eis aí um esquecimento típico dessa doença de lesa-pátria: Mal de Bumlai.

Mas ele pagou, afinal, o empréstimo? Disse ter quitado a dívida com embriões de boi!!! Mas e a prova? Ah, segundo ele, o Banco Schahin lhe apresentou um documento com uma confissão de dívida de R$ 60 milhões, mas ele se negou a assinar. Que pena, né?

O que é espantoso nisso? O próprio Salim Schahin, chefe do grupo empresarial, deixa claro que o dinheiro era, sim, para o PT e que a dívida nunca foi paga. Ou melhor, foi: a pendência foi perdoada porque o grupo conseguiu assinar um contrato US$ de 1,6 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras. E com a intermediação de Lula e de… Bumlai.

Que história esta, não? Então o empresário toma R$ 12 milhões de empréstimo, salda a dívida usando embriões de boi como moeda, mas fica sem uma miserável prova do pagamento? Foi com essa esperteza que ele se tornou o primeiro-amigo do Rei? Acho que não.

E Bumlai foi de negativa em negativa, sem conhecer ninguém, sem se lembrar de nada… Um portento! Hoje, o empresário é o fio desencapado mais perigoso no qual se enrola Lula."


Reinaldo Azevedo

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