Na
entrevista com João Fernando do jornal O Globo, a atriz que completa 50 anos de
TV e diz não se sentir uma estrela: 'Não sou diva'.
Ela
está dando banho na novela 'Sete vidas', provando ser o máximo com dezenas de
papéis em 50 anos de televisão e prêmios importantes ao longo da carreira.
—
Diva?... Não, mas acho engraçado. Respeito essa palavra. Sou de uma geração em
que ator era operário da arte. Esse glamour hollywoodiano que tentam impingir à
nossa profissão está errado. A gente tem que acordar cedo, preparar o corpo, a
voz, decorar texto, ler muita literatura. Aliás, tenho um calhamaço para
decorar. Meu personagem é muito verborrágico — justifica a atriz, no ar como a
Esther de “Sete vidas”.
—
Tenho algumas coisas que alguém poderia dizer que seriam atitudes de diva. Só
visto uma roupa em cena se eu achar que ela fala com a proposta. Isso é coisa
de diva? Não sei, talvez. Negocio com a figurinista. Quero um figurino que me
respeite como atriz. Diva não é aquela que só fala amém para si mesma? É um
direito meu de atriz revindicar uma parcela de criatividade para mim.
—
As pessoas só se referiam a Esther como “a lésbica", “a homossexual".
Isso é uma característica que não está na linha de frente dela. Ela tem outras
coisas muito sedutoras — minimiza a atriz, afirmando que Esther caiu no gosto
do público: — Conheço por táxis, aeroportos, supermercado, feira e consultórios
aonde vou. Em todo lugar, a reação é fantástica. As pessoas dizem que ela é
alguém que gostariam de ter por perto.
—
O problema está na forma de apresentar o tema ao público. Uma colega disse que,
quando viu o beijo de Estela e Teresa, não as conhecia, estava sendo
apresentada às personagens. Então, o beijo que vi foi da Fernanda e da Nathalia
— opina Regina: — Isso tornou claro o quanto a forma de colocar o assunto para
o público foi precipitada. Quem são essas mulheres? Aí, posso receber um beijo
delas, assim como já recebemos entusiasticamente outros beijos em outras
novelas. Não acho que estejam forçando a barra para introduzir um assunto que
precisa ser discutido.
—
Não sei de nada. Havia um hipótese na sinopse de que ela teria uma relação
amorosa. Tanto ela pode conhecer um homem e se apaixonar ou conhecer uma mulher
e viver uma relação — disfarça.
Na vida real, Regina entrega que tem o hábito de dar pitacos na criação de seus cinco netos.
—
Vou até um certo ponto e paro para não ficar aquela sogra ou avó inconveniente.
Tenho bastante semancol, mas nunca deixo de colocar. Não sei se vou falar para
sempre “No meu tempo, a gente lidava com isso assim assado” — conta a atriz.
Regina,
começou na TV na novela “A deusa vencida”, que estreou em julho de 1965, na
extinta Excelsior. A primeira personagem se chamava Malu e, anos mais tarde,
inspirou o nome da protagonista de “Malu mulher” (1979), seriado que a fez
deixar de ser a namoradinha do Brasil e marcou época por mostrar um lado
independente feminino e discutir temas polêmicos nos anos 1970, como
masturbação, orgasmo e homossexualidade.
—
Tive sorte, sorte existe. Agarrei as oportunidades de interpretar essas
mulheres. O que mais me deixa gratificada é sentir que elas fizeram a diferença
na vida do público. Estimularam pessoas a ter força para enfrentar a dor, o
fracasso, todas as misérias da vida.
—
Sinto que hoje sou rica por ter convivido com essas mulheres. Não tem tempo
ruim para mim. Tenho um esquema de defesa equipado para enfrentar as
dificuldades. Eu não me entrego. Sou resistente à dor. Nunca fiquei doente numa
novela. Sou biônica?
—
Aos 68 anos, idade não é um fator para limitar o trabalho. Há papel para todo
mundo. Há tantas atrizes da minha faixa trabalhando. O que talvez não haja é um
conceito de protagonismo antigo. As novelas de hoje têm 80 pessoas. A trama se
concentra 60% numa faixa bem jovem e 10% numa faixa mais velha. Tem que haver
os avós.
—
Envelhecer não é um problema e não dou tanta importância à vaidade. Não adianta
ter uma embalagem maravilhosa porque o interno se impõe no fundo do teu olho.
Não sou uma pessoa vaidosa. Na rua, uso zero maquiagem. Os fãs ficam meio
chocados. Já cansei de ouvir em banheiros: “Nossa, ela é mais bonita na televisão.
Por que ao vivo ela é feia?” — revela, alegando ter feito apenas uma
intervenção estética: — Nunca pus botox. Fiz um lifting daqueles que repuxam
tudo, com 39 anos, coisa de maluca. Não me arrependo. Isso me tirou 15 anos.
Hoje não sei, pois tudo tem prazo de validade. E não fiz mais nada.
—
Ando em todos os lugares sem ser reconhecida. Só os paparazzi do Aeroporto
Santos Dumont me reconhecem pela minha mala vermelha. A roupa me disfarça. Eu
só não posso falar, minha voz é conhecida.
— Por mais que eu escolhesse as melhores palavras, não conseguiria falar da minha indignação e do meu horror do que está acontecendo no nosso país. Não sei expressar o tamanho do descarrilhamento que estamos vivendo. Claro que tenho (esperança de que vai melhorar). Seria muito doloroso não ter. Acordo todos os dias e falo “força e esperança”.
—
Hoje, eu quero ficar em casa para montar um espetáculo. Não me interessa mais
viajar. Viajei bastante já. A viagem agora é para dentro, tentando descobrir o
que foi importante, o que me tornou a pessoa que eu sou e depor sobre isso na minha
arte. Viajando vou me distrair com o quê? Com velharia?


Nenhum comentário:
Postar um comentário