Quem diria: Metropolitan Opera de Nova
York, pode não abrir as portas no início da temporada 2014-2015...
Pela primeira vez em mais de trinta
anos, ameaçado por uma crise financeira de proporções avassaladoras.... A nova
montagem de “As Bodas de Fígaro”, de Mozart com estreia programada para dia 22
de setembro, mabe....
A temporada de 2012-2013 do
Metropolitan Opera House terminou com um prejuízo de US$ 2.8 milhões (R$ 6.3
milhões), e a que foi encerrada em julho último, ainda sem números oficiais, de
acordo com a própria direção do MET, “consideravelmente maior”.
Os comandantes de uma das casas de
ópera mais importantes do planeta dizem que a única saída para o símbolo da
alta cultura da maior metrópole norte-americana é abrir as portas mês que vem,
um corte de quase 20% nos salários e redução de benefícios dos funcionários da
casa.
A crise é mais ampla e atinge outras
casas similares, teatros municipais e orquestras de música clássica nos EUA. O
setor vem tentando se reinventar, buscando saídas, em geral sem muito sucesso,
para o modelo de sustentação financeira fincado na bilheteria e em doações de
empresas e admiradores das artes mais endinheirados. A crise financeira global,
que atingiu os EUA, mostrou a fragilidade de um modelo solidificado na metade
do século passado, quase que em um efeito dominó.
Casos como o MET: Orquestra de Minnesota, cujo comandante é o
maestro finlandês Osmo Vänskä, anunciou que renunciaria ao posto por conta de
uma disputa trabalhista que durou 16 meses. Vänskä foi especialmente celebrado
no último sábado, em Nova York, em apresentação no Avery Fisher Hall do Linclon
Center, dentro do festival Mostly Mozart, em um retorno à cidade depois de dois
anos de ausência e anunciou sua volta ao posto, para alegria da comunidade de
melômanos americanos, em Mineápolis..... A Ópera de San Diego, na Califórnia, ameaçou
fechar as portas, por uma insolvência financeira gerada pela queda tanto da
bilheteria quanto das doações privadas e corporativas..... O MET publicamente abriu
aos visitantes e jornalistas a receita de bilheteria da temporada 2012-2013 foi
de US$ 300 milhões menor do que a anterior, enquanto os gastos com pagamento de
pessoal aumentaram em meio bilhão de dólares.
Ontem, domingo (17) foi o prazo final
dado pela direção. A Federação dos Músicos, que representa a orquestra, e o
Sindicato dos Músicos, que representa o pessoal do coro, spallas e cenografistas,
pararam a negociação na semana passada, exigindo que uma análise independente
fosse feita da situação financeira do MET.... O presidente, Peter Gelb, chegou
a ameaçar impedir a entrada dos funcionários se estes não aceitassem os cortes,
se limitou a divulgar nota dando conta de que ‘espera chegar a uma conclusão
final nas negociações nas próximas horas”.
A Aliança Internacional dos
Funcionários de Teatros de NY, que representa todos os trabalhadores técnicos
das coxias do MET, anunciou que não aceita de forma alguma a redução de 14.5%
dos salários, propostas por Gelb. O MET terá de se virar para abrir em setembro
sem o grosso de sua equipe de assistentes técnicos. E a direção tem de negociar
com 12 sindicatos e estrelas da casa, como a soprano Deborah Voigt, sendo chamadas
de ‘divas’, no pior sentido da palavra, por colegas em redes sociais, ao pedir
publicamente que o sindicato ceda mais nas negociações.




Nenhum comentário:
Postar um comentário