domingo, 17 de novembro de 2013

Paulo José vai viver seu problema: um portador de Parkinson na próxima novela de Manoel Carlos



 Paulo José vai viver um portador de ParkinsonNa próxima novela de Manoel Carlos 
Paulo José vai viver seu próprio problema na novela Em Família, de Manoel Carlos que estreia em janeiro, sob direção de Jayme Monjardim. Foi ele quem sugeriu ao autor algumas situações "humilhantes" vividos por um portador de Parkinson. Paulo José terá liberdade de improvisar à vontade. Em depoimento escrito recentemente sobre a doença, Paulo diz que a Globo pagou os tratamentos mais caros. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o enviou para Nova York, assim que soube do diagnóstico. Lembra da infância, entre Bagé e Lavras do Sul (RS), da mãe de suas três filhas, Dina Sfat, das outras mulheres, do filho, e conclui: "Acho que sempre estive com alguém. Sou passional, mas gosto de fingir que não sou. Sinto ciúmes, mas finjo que não sinto. Se me perguntarem, nego tudo".
Há 15 anos, soube também que tinha enfisema pulmonar, mas ainda se permite fumar até cinco cigarros por dia.
Dirigiu 10 peças de teatro, participou de 19 filmes e 18 programas de TV, dirigiu mais de 200 comerciais e prepara a reedição de um livro que norteou o curso de direção e atuação que criou na Globo, em 1988, e na Escuela Internacional de Cine Y Televisión, de Cuba.
O Maneco procurou Paulo e perguntou se importaria de ele me usar para falarmos do Parkinson, que seria bom para a novela. E como eu tenho obrigação de fazer coisas pra televisão – tenho contrato, a cada três anos tenho que fazer uma novela –, achei que essa era uma boa ideia. E, coincidência, o Michael J. Fox está fazendo um programa nos Estados Unidos, com grande sucesso, em que ele é protagonista, com todos os problemas do Parkinson. A proposta é tratar o Parkinson com humor. Eu costumo chamar de "Meu Parkinson de diversões", chamo mesmo, porque para algumas pessoas, o Parkinson é um problema sério, impede de trabalhar, corta atividades, dá a sensação de que o mundo acabou. Pra mim, não.
Não é letal, você não morre de Parkinson, mas o Parkinson ajuda a te enfraquecer, vai minando os teus alicerces. Eu, por exemplo, tenho uma voz muito fraca. Posso fazer esforço, faço aulas de voz duas vezes por semana, faço exercício todos os dias. Eu, estando descansado, a voz sai mais forte e mais articulada. Mas agora, por exemplo, estou com dificuldade de falar. Tomei banho e fiz um relaxamento preguiçoso, dá uma sonolência, os remédios são muito fortes, atacam muito o sistema nervoso central. O problema do Parkinson é a ausência de dopamina. A dopamina é euforizante, a droga da alegria. Se você não tem dopamina, fica caído, sem humor. Se você olhar, o parkinsoniano tem cara de jogador de pôquer: você não sabe o que ele está pensando. Puxa a carta, olha pra você sem nenhuma reação, é um jogador de pôquer.
Sou otimista, irremediavelmente. Eu tenho dificuldade em certas coisas. Dar entrevista, me custa muito. Eu prefiro fazer por escrito. Estou escrevendo muito mais do que falando e estou escrevendo bem. Estou passando tudo para um livro. É um pot-pourri, uma mistura.
O meu personagem vai ser bastante flexível. Conversando com o Maneco, sei que vão ter um cuidado especial comigo.
Citei algumas situações, o freezing, que causa um congelamento. O personagem entra no ônibus e trava na porta. Em vez de entrar, não pode sair dali, há uma desconexão entre movimento e vontade. Ele quer entrar, mas não consegue, e as pessoas reclamando, "eh, eh". Tem a situação de assalto, em que o assaltante manda o sujeito ficar quieto, parar de se mexer, e ele não consegue, fica tremendo. E o cara se sente mais ameaçado pelo fato de não poder parar os movimentos – "mas eu sou doente" –, e o assaltante não acredita. Tem situações do episódicas do parkinsonismo, que ocorrem com algumas pessoas, como incontinência urinária, que eu não tenho, mas tem gente que tem. São situações humilhantes. Você vai ficando arredio, tem medo de muita gente. Mais de três pessoas é multidão. Aqui em casa tem muito movimento, mas são pessoas que são muito conhecidas, me respeitam, têm carinho por mim, isso é importante também. O Maneco vai ‘maltratar’ Isso é inevitável. Para criar uma empatia do público com esse personagem, ele me maltrata. O público sofre junto. Assim tem empatia. Se o personagem for antipático, o público vai dizer "quero que se ferre, pode sofrer". Eles (telespectadores) têm que ficar condoídos.
Estou interessado em acompanhar a novela das 9 (onde sua filha Bel Kutner vive a enfermeira Joana). Aliás, todo mundo na novela tem um lado podre. Mas tem os velhos – o Ary Fontoura e a Nathália Timberg –, que são jovens.
O marca-passo: Há cinco anos. Quando fiz Por Amor, ainda não tinha, mas eu usava os tremores a favor do personagem, que era bêbado.





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