domingo, 16 de dezembro de 2012

RECEBENDO CONVIDADOS PARA JANTAR




NÚMERO DE CONVIDADOS
Quando uma dona de casa deseja convidar amigos para se reunirem em torno de uma mesa, seu primeiro pensamento é saber o número de convidados e quem serão eles. O número depende da dimensão da sala de jantar e da mesa que nela cabe. Com solenidade ou simplicidade????.... Se homenagem, o número e a quantidade dos convidados depende mais do homenageado do que dos anfitriões. Em jantar de despedida ou de aniversário, saber quais os convidados, para que o homenageado se sinta em casa. Se o objetivo é reunião de pessoas que se conhecem ou desejam conhecer-se, os donos da casa determinam o número e a escolha. Oito, número redondo, admite duas garrafas de vinho (um branco e um tinto), talheres do mesmo faqueiro, facilidade culinária e  deve cuidar de seus amigos do começo ao fim do encontro. Fixado o número ideal, passe à qualidade., Nunca convidar pessoas que falem demais. Ou amigos muito calados, que tornam o encontro demasiadamente tranquilo. Os donos da casa também têm a necessidade de dosar a conversa.

À Espera do Jantar
Os convidados são recebidos pelos anfitriões em uma sala, onde servem aperitivos e esperam os retardatários, que não devem exagerar no atraso. Há pratos que não devem passar do ponto justo para serem bem apreciados. Quando o jantar está servido, a dona da casa é a primeira pessoa a dirigir-se à sala de jantar, depois de pedir aos convidados que façam o mesmo. Mostra e abre o caminho e o dono da casa é o último. fechando o grupo. Disposição à mesa: os lugares de honra à mesa são o lado direito e, depois, o lado esquerdo da dona da casa para os convidados, e as mesmas posições para as convidadas junto ao dono da casa. Se o anfitrião não estiver em companhia de sua mulher, ou se for viúvo, solteiro ou divorciado, pode dar à senhora mais idosa ou à de sua preferência o lugar que caberia à suo mulher, que é o mesmo que considerá-la dona da casa. O mesmo acontece à dona de casa. O jantar sendo de oito ou dez pessoas, a dona da casa, mostra a cada convidado o lugar que lhe está destinado. As senhoras vão sentando e os homens, em pé, ajudam a companheira ao lado, retirando e colocando a cadeira na posição em que ela se sinta confortavelmente sentada. Quando o jantar for de maiores proporções, é aconselhável que os lugares estejam marcados com cartões, com o nome de cada convidado, pois a dona da caso não teria memória bastante para lembrar a colocação de cada convidado.



A conversação: antes ou depois da refeição, os donos da casa dever fazer o possível para que homens e mulheres não formem grupos à parte. Hábito feio e provinciano. Sempre atentos e verificar se todos os convidados  são bem tratados, estimulando os mais tímidos a que se juntem aos mais extrovertidos. Havendo um convidado fora do grupo, colocá-lo sempre entre gente que fale o idioma dele ou que com ele pode ter relações mais fáceis. Isso é importante, pois esse convidado não pode ficar afastado do convívio geral. Controlar a conversação para que um único convidado não fique dono da prosa.

Pratos e talheres: Há diante de cada convidado um prato raso; no caso de haver sopa, este prato é colocado sobre o outro e, quando o ajudante leva para a copa o prato de sopa já servido, deve levar também o que está embaixo, substituindo-o por um limpo, raso. Certas comidas exigem que o prato seja aquecido, o que deve ser feito e não custa muito assim agir. Aos lados do prato, diante de cada pessoa, há os talheres, sendo a faca e a colher (caso haja sopa) do lado direito, pois são os que não mudam de mão e somente são usados com a direita. O garfo – que é móvel – fica do lado oposto do prato. Tanto a colher quanto o garfo são colocados com as pontas para cima. O descansa-talher caiu de uso, pois era empregado para que os talheres esperassem o prato seguinte. Nunca se deve limpar os copos ou os talheres com o guardanapo (coisa permitida em restaurante de beira de estrada) pois a dona de casa já verificou que eles estão bem asseados quando a mesa foi posta. Segura-se a faca sempre com a mão direita, sem que o dedo toque a lâmina de aço. A colher – como a faca – só é usada com a mão direita. O garfo é a peça do talher que pode mudar de mão. Assim, quando se corta a carne com a faca, o garfo segura a carne contra o prato para que a direita cumpra sua missão. Quando houver sopa com pedaços de carne de vaca ou de ave, o garfo também pode intervir, ajudando a tornar menor o pedaço de carne, que a colher levará à boca.


O Serviço: O serviço deve ser sempre bem cuidado. Não basta que a comida seja apetitosa, mas apresentada com capricho. A sopa deve ser bem quente, e estar servida, quando os comensais chegam à mesa. O serviço chamado "à francesa" é muito procurado, justamente porque um prato vem à mesa depois do outro e assim o segundo fica no quente do forno, enquanto o anterior é apreciado. Se o primeiro prato for peixe, como servir a carne em um prato que ainda tem o gosto e o molho do peixe ou do camarão?

Sentados à mesa quem deve ser servido em primeiro lugar? Há duas escolhas, ambas corretas. A dona da casa é a primeira a servir-se, pois, assim, verifica se a travessa está em ordem e também abre o peixe ou destaca uma fatia de carne, que já deve vir cortada da cozinha. Em seguida, as senhoras são servidas pela importância da posição social ou idade e os homens ficam para o fim, sendo o dono da casa o último. A dona da casa pede às senhoras que não esperem os homens serem servidos, sem o que o prato esfria. A segunda escola acha que o dona da casa será a última das senhoras a se servir, sendo os demais como ficou explicado.


Combinação de pratos: A composição de um menu requer arte, porque os pratos devem seguir-se com naturalidade e nunca se chocar. Cuidado para que eles não se repitam, tipo peixes diferentes em uma mesma refeição ou massas, mesmo que uma fosse, por exemplo, macarrão e, a outra, torta salgada ou doce. O mesmo conselho para o acompanhamento, que não poderá ser o mesmo arroz, a mesma batata ou o mesmo “petit-pois“. Quem oferece camarões preparados no creme de leite não escolherá morangos com creme, à sobremesa.


Arranjos: O arranjo da mesa é próprio da maneira de ser da dona de casa. Pode ser com flores, com frutas, composto de flores e frutas, com uma sopeira antiga de prata, ou de porcelana; uma peça de porcelana sobre uma base de espelho ou uma vasca baixa com uma ou duas flores boiando. Os “jogos americanos“ podem muito propriamente ser usados nos almoços, deixando as toalhas inteiras para ó jantar, que é de mais cerimônia, do mesmo modo como o vestido longo é mais solene do que o curto. O guardanapo: Está fora de uso fazer fantasias com o guardanapo ao colocá-lo sobre o prato ou dentro do copo. O mais correto é dobrá-lo em quatro ou seis, dependendo do tamanho e, sobre o prato com o pão entre suas dobras ou sobre ele. No lugar das senhoras, usa-se esconder dentro das dobras um guardanapo bem pequeno vermelho, para que elas possam tirar, se houver excesso, o “baton" dos lábios, pois o "rouge" pode ser mais ou menos indelével no tecido. Ao sentar-se à mesa, o comensal abre o guardanapo e coloca-o sobre os joelhos, de modo tal que ele não escorregue e não caia no chão. Quando deixa a mesa, o convidado dobra mais ou menos o guardanapo, sem deixá-la como se fôsse uma trouxa, mas sem necessidade de fazê-lo de tal forma que a dona da caso tenha a impressão que vai usá-la no próximo jantar.


Delicadezas: Em uma refeição de poucas pessoas, se uma senhora se levanta (seja por que motivo for) todos os homens fazem o mesmo. Em jantar muito grande, basta que os dois homens que estão ao lado dela o façam, pois eles representam os demais. Se, em um restaurante, um homem se aproxima da mesa para saudar quem janta (sem estender a mão, que é um erro enorme, já que os que estão sentados estão com as mãos lavadas) os homens sentados levantam e só sentam quando o amigo se retira ou pede que sentem. Quando a refeição estiver terminado, os convidados ajudam as senhoras a levantar, retirando-lhes discretamente a cadeira.


Os copos: nunca se deve colocar um único copo ou cálice diante do convidado, ao menos em uma refeição social. São dispostos em linha normal logo após o prato e na ordem crescente da direito para a esquerda, para maior facilidade de quem serve, o que deve ser feito pelo lado direito do comensal e nunca pelo esquerdo. O maior é usado para água, o médio para vinho tinto e o menor para vinho branco. Nunca se leva um copo aos lábios, sem, anteriormente, enxugá-los com o guardanapo para que não fiquem impressos no vidro ou cristal sinais de gordura.


A carne: Quando se corta a carne, segura-se o garfo na mão esquerda com os dentes fincados na carne para baixo. Depois de cortado o pedaço – um por um e por sua vez – o garfo leva-o à boca na mesma posição, podendo com a faca juntar no dorso do garfo o acompanhamento, seja arroz, legume ou batata. A faca nunca pode ser levada à boca, em caso algum, e não será usada para cortar macarrão, ovo, batata ou salada. Mesmo o pão não deve ser cortado com a faca, a não ser na copa. A mesa é partido com a mão...... O molho: Quando, terminada a carne ou a ave, restar no prato um pouco de molho – que é geralmente o mais gostoso do petisco – pode-se colher um pouco do molho com um pedaço de pão. Esse hábito não é admitido na Inglaterra, porque os molhos não são muito caprichados nesse país. Esse pedaço de pão pode ser preso com os dedos ou espetado nos dentes do garfo.


Sobremesa: Os pratos de sobremesa são trazidos da copa, logo depois que o ajudante tenha tirado da toalha as migalhas de pão, que normalmente ficam sobre ela. Emprega-se a clássica vassourinha ou um simples guardanapo, fazendo que as migalhas caiam dentro de uma vasilha rasa ou de um prato. Esses pratos de sobremesa vêm acompanhados dos respectivos talheres, que são menores do que os usados até então. Geralmente, com eles vem uma lavando, onde os convidados podem lavar as pontas dos dedos e mesmo levemente os lábios. 6 uma aplicação que fico ao critério deles. Essa lavanda – chamada de bal ou "bowl“ – pode ser de prata, metal, vidro, cristal ou faiança, e, a água, fria ou morno. É gracioso deixar uma pétala de rosa boiar dentro da lavanda...... Convém que os talheres da sobremesa sejam – se não os três – ao menos dois, garfo e faca ou garfo e colher. No primeiro caso, se a sobremesa necessitar ser cortada e, no segundo, se houver uma compota ou doce com calda. Deve-se, sempre que possível, comer pratos salgados ou doces com dois talheres, o que dá mais segurança e trabalho para ambas as mãos. Um "soufflé" uma salada de frutos ou um sorvete, não necessitam de dois talheres, mas são exceções à regra geral.

Fumo e palito: O convidado deve fumar o menos que puder à mesa, pois outras pessoas presentes podem não suportar o fumo em tais ocasiões. Se fumar, verificar se a fumaça não é atirada por alguma corrente de ar aos olhos de um dos vizinhos, lembrando-se, também, que nem a xícara nem o pires do café são cinzeiros. Pode a dona da casa colocar discretamente sob a borda do prato um palito, que só será usado em última instância e o menos tempo possível. O uso dos paliteiros em prata antiga, porcelana ou opalina, caiu da moda há muito tempo e não há quem pretenda ressuscitá-la. Após a refeição, na toalete, cada qual que faça do palito o que entender, se necessidade houver.

Frutas: As laranjas devem vir descascadas da copa; basta cortar a parte comível, deixando o talo central. Peras e maçãs são descascadas e, depois, cortadas em quatro pedaços, verticalmente, ou cortadas antes de serem descascadas. Basta que o garfo tenha os dentes para baixo, segurando a fruta junto ao prato. Frutas mais simples, como as uvas, as ameixas, as cerejas, comem-se com a mão e o carôço é tomado nos lábios com a mesma mão e deixadas no prato. Nunca diretamente cuspidos da boca ao prato. O melão já vem cortado em meias-luas e basta tomar o pedaço que cabe a cada convidado. As mangas são trazidos à mesa em filés, ficando o incômodo carôço no copa. Banana não é fruta de refeição social. Mas, se vier, que seja comida com a mão. A fruta é descascada até quase o fim, ficando uma parte coberta com a casca. É por ai que é segura e levada à boca. Comer banana com garfo e faca é pernóstico e a própria fruta perde muito de seu sabor.

O café: O café pode ser servido à mesa ou em salão próprio, sobretudo quando o jantar é longo e convém mudar as pessoas de lugar. Sendo pouca gente, a dona da casa o fará ela mesma com ajuda de alguém, que levará a xícara a cada convidado. Sendo muita gente, o copeiro ajuda, porque a dona da casa não pode abandonar os convidados por longo tempo, o que teria que fazer se se ocupasse somente do café.

Escolha dos vinhos: os vinhos são um acompanhamento. É preciso levar muito em conta o prato, antes de escolher o vinho. Há regras gerais no caso, que devem ser respeitadas: a) nunca servir vinho branco depois de vinho tinto, notando-se que o primeiro é refrescado e, o tinto, nunca; b) não trazer vinho doce antes de vinho seco, porque o primeiro mataria o segundo; c) quando um segundo vinho for servido, deve-se mudar de copo ou verificar se o vinho anterior foi totalmente bebido até a última gota; d) havendo vinhos de datas diferentes, servir, em primeiro lugar, o mais jovem, deixando para o fim o mais antigo, que deve estar mais forte, ainda que mais suave ao paladar, por ter perdido o tanino ao envelhecer; e) o mais certo é escolher um vinho branco e um vinho tinto bem de acordo com os pratos, que vão ser servidos, porque cada gole melhora o seguinte e não haverá dúvidas e discussões a respeito do que é melhor, se o melhor é aquele escolhido e não fica sujeito a comparações.

Os digestivos – como os aperitivos – são servidos fora da mesa e o mais conhecido de todos é o conhaque, feito de uvas. Além do conhaque, há o Armagnac (do mesmo gênero) e os licores, que tanto podem ser criados em mosteiros, como produzidos à base de frutas ou ervas. Muitos deles são verdadeiras aguardentes, mas com algum elemento que os torna mais doces, como convém à digestão. Raro o país que não tenha seus licores, bem como suas aguardentes, que podem ser de uva, de trigo, de grãos diversos, de cana-de-açúcar, de milho, de centeio ou de composições químicas.

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