A imagem da presidente Dilma Rousseff, ocupa o principal espaço da capa da edição desta quinta-feira do reputado jornal francês “Le Monde”, ao lado de aspas em capitulares: “Eu não tolero a corrupção”. O jornal diz que a visita de Dilma a Paris, onde se reuniu com empresários, representantes do governo francês e o presidente François Hollande, foi ofuscada pelas novas denúncias do operador do mensalão, Marcos Valério, afirmando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dinheiro do esquema do mensalão para pagamento de “despesas pessoais” e deu “ok” para os empréstimos que viabilizaram a compra de apoio político no Congresso. Na entrevista exclusiva ao vespertino francês, pouco antes de embarcar para a Rússia, questionada sobre os problemas de corrupção no país, defendeu o sistema brasileiro, criticou a “caça às bruxas”, elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - envolvido em novas denúncias no esquema do Mensalão -, e disse que não é o momento ainda de pensar em uma possível reeleição em 2014. "Eu não tolero a corrupção, e o meu governo também não. Se há suspeitas fundamentadas, a pessoa deve partir. Certamente, não se deve confundir essas investigações e a caça às bruxas próprias aos regime autoritários ou de exceção. Para ser candidato em uma eleição, os brasileiros devem se sujeitar à Lei da Ficha Limpa, não podem ter sido condenados. O Ministério Público é independente, a Polícia Federal investiga, prende e condena. E quem começou essa nova etapa de governança foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, disse a presidente ao diário francês. A corrupção atinge todos os países, e não são os indivíduos que devem ser virtuosos, mas as instituições. A sociedade deve ter acesso a todos os dados governamentais. Todos aqueles que utilizam recursos públicos devem prestar contas. Senão, a corrupção domina. É preciso ser voluntarista. Graças as novas tecnologias, o Brasil criou um “Portal da Transparência”, que registra todas as despesas públicas no próprio dia”, acrescentou."
Defendeu a construção da usina de Belo Monte, alegando que não haverá prejuízos para os índigenas da região. “Não há índios nas proximidades da usina hidrelétrica. Os mais próximos estão a 70 quilômetros. As águas não cobrirão as suas terras. Todas as auditorias públicas foram feitas para preservar os meio ambiente, ao qual somos bastante arraigados. Desde 2004, o desmatamento foi reduzida ao mínimo”, justificou. Definiu a questão indígena no Brasil como “complexa”, por causa dos diferentes tipos de relações entre os índios e a sociedade: “Alguns não possuem mais relações tribais, adotam nossos hábitos de consumo, o carro, a calça, os tênis, enquanto vivem numa extrema pobreza. Outros permanecem isolados, e é preciso evitar o contato, protegê-los das nossas doenças, de nossos vírus e vícios, principalmente o álcool. É um desafio de civilização: respeitar a cultura de alguns para não corrompê-los, fazer de outros cidadãos completos, favorecer o acesso à saúde e à alimentação, criar às vezes escolas indígenas, e garantir a sua segurança”. Explicou o fraco crescimento brasileiro este ano pelo fato de o país estar passando por uma “fase de transição”, provocada pelos efeitos da crise internacionall, que debilitou as economias no mundo. “Tivemos de adotar medidas estruturais, como a redução da taxa de juros. Pela primeira vez desde décadas, elas se aproximam daquelas do mercado internacional. Isso levou a mudanças de rentabilidade. O aumento do investimento produtivo ainda não substituiu a queda dos investimentos financeiros. E a desvalorização cambial das moedas dos países desenvolvidos provocou uma valorização do real, o que nos foi prejudicial”, explicou. Entre os principais desafios do Brasil, colocou o aumento da competividade e dos investimentos em infraestrutura, e ao mesmo tempo louvou o crescimento da classe média no país, “hoje constituída de 105 milhões de brasileiros”.
Destacou a importância do grupo dos Brics (Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul) – “cujos desempenhos sustentam a economia mundial” -, da manutenção do euro para o equilíbrio econômico e político europeu, e também das relações entre o Brasil e a França, país que está face ao “desafio de relançar o crescimento sem comprometer as conquistas sociais do pós-guerra. “Estabeceler parcerias fora da zona do Euro é do interesse da França. Empresas francesas fazem no Brasil uma parte considerável de seu volume de negócios. A diversificação de seus investimentos é extraordinária. Elas estão presentes em todos os setores estratégicos: automobilístico, petróleo, siderurgia, química, defesa, transportes, energia, ferrovias, etanol, medicamentos... As empresas se dão melhor quando são internacionais”, sustentou.

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