quinta-feira, 22 de julho de 2010

Oliver Stone

Desmascara Larry Rohter




A carta enviada pelo cineasta norte-americano Oliver Stone ao The New York Times para refutar crítica a seu documentário “Ao sul da fronteira” (South of the Border), escrita pelo jornalista Larry Rohter, está dando o que falar.

Rohter é o jornalista que tentou desqualificar o presidente Lula, apresentando-o como um bêbado, incapaz de dirigir os destinos de um país. O New York Times está bobeando porque a matéria de Rohter sobre Lula, precisa ser qualificada como abusiva uma vez que outras reportagens, de diversas publicações, exaltam Lula como um dos maiores estadistas da atualidade lá mesmo, ou seja, no mesmo jornal.

Rohter já é bem conhecido por destruir personagens ligados às causas populares. Lembrem-se de Rigoberta Menchu e Hugo Chávez. O documentário de Oliver Stone, falando das mudanças na América do Sul conduzidas por gente como Lula, Chávez e Evo Morales, detonou o abusivo Rohter. E provocou ira devido a crítica que o cineasta faz às distorções dos fatos promovidas pela mídia.

O jornalista do The New York Times escreveu uma crítica intelectualmente desonesta, desconstruída por Oliver Stone e os roteiristas do filme Mark Weisbrot e Tariq Ali. Quem quiser lê-la no original é só ir à página do filme:

Larry Rohter atacou o filme "South of the Border" por "erros, imprecisões e perda de detalhes". Com um supermega exame cuidadoso dos detalhes, revela que os erros, imprecisões e perda de detalhes são dele. O filme é preciso. Diz o cineasta: "Nós vamos documentar isso para cada um dos seus ataques. Nós vamos mostrar, então, que há evidência de hostilidade e conflito de interesses na sua tentativa de desacreditar o filme. Finalmente, nós pedimos que sejam considerados os muitos erros factuais nos ataques de Rohter, assinalados abaixo, e que o The New York Times publique a correção integral desses numerosos erros."

1) Acusou o filme de informação incorreta e, Rohter escreveu: "um vôo de Caracas para La Paz passa na maior parte sobre a Amazônia e não sobre os Andes..." A narrativa não diz que o vôo passa na maior parte sobre os Andes, mas apenas que passa sobre os Andes, o que é verdade. (Fonte: Google Earth)...... 2) Má informação, porque Rohter escreve "os Estados Unidos não 'importa mais petróleo da Venezuela do que qualquer outra nação da Opep', honra que pertenceu à Arábia Saudita durante o período 2004-10". A citação de Rohter foi feita no filme pelo analista da indústria do petróleo Phil Flynn, que aparece cerca de 30 segundos em um clip da TV americana. Revela que Rohter está errado e Flynn, certo. A Venezuela liderou as importações de petróleo dos EUA entre os países da Opep nesse período. (Fonte: US Energy Information Agency for Venezuela). 3) Rohter desacredita da breve descrição que o filme faz da disputa presidencial na Venezuela em 1998: "Como South of the Border mostra, o principal oponente de Mr Chávez na sua primeira tentativa pela presidência em 1998, era ‘a ex-miss universo, loura, 1,77m’ chamada Irene Sáez, e a disputa ficou conhecida como a eleição entre a Bela e a Fera. O principal oponente de Mr. Chávez não era a senhora Sáez (terminou em terceiro, com menos de 3% dos votos), e sim Henrique Salas Romer, ex-governador de estado, que recebeu 40% dos votos." Critica de Rohter enganosa. A descrição da disputa presidencial no filme, citada por Rohter, é de Bart Jones. Ele cobria a Venezuela para a Associated Press na época. Na maior parte da disputa (começou em 1997), Irene Sáez era a principal oponente, e a disputa foi apresentada como a "Bela e a Fera". Nos seis meses anteriores à eleição, ela caiu e Salas Romer conquistou seus 40% mostrando decisão tardia do Copei e da AD (dois maiores partidos da Venezuela, que governaram o país quatro décadas) em apoiá-lo (Veja artigo de 2008 da BBC, que descreve a disputa como no filme, e não menciona Salas Romer: http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7767417.stm). 4) Rohter rotular o tratamento do filme ao golpe de 2002 na Venezuela como "teoria conspiratória". Ele escreve: "Como Mr. Stone fez com o assassinato de Kennedy, essa parte de South of the Border se apóia na identidade de um atirador ou de atiradores que podem ou não ter tomado parte de uma grande conspiração." Descrição falsa. O filme não faz afirmação com base em atiradores, não apresenta teoria de "grande conspiração" com base em atiradores. O filme assinala duas questões sobre o golpe: (a) A mídia venezuelana manipulou imagens para parecer que um grupo de apoiadores de Chávez tinha atirado e matado 19 pessoas no dia do golpe. A manipulação das imagens é demonstrada claramente no filme; não se "apóia pesadamente na conta de Gregory Wilpert", como Rohter falsamente alega. As imagens falam por si. (b) O governo dos Estados Unidos estava envolvido no golpe. Rohter se apóia em teorias conspiratórias, citando narrativa duvidosa em particular; ele argumenta que deveria ter sido incluída no filme. 5) Rohter nos acusa de "distorcer fatos e omitir informações" sobre a Argentina por permitir "Mr. Kirchner e sua sucessora - e mulher - Cristina Fernández de Kirchner afirmarem que "nós começamos uma política diferente da anterior". "O antecessor de Mr. Kirchner, Eduardo Duhalde, e o ministro da Economia, Roberto Lavagna, foram os arquitetos da mudança de política e da subsequente recuperação da economia, que começou enquanto Mr. Kirchner ainda era o obscuro governador de uma pequena província na Patagônia". Crítica obscura e ridícula, porque os Kirchner estiveram na presidência por cinco dos seis anos da recuperação econômica argentina, nos quais a economia cresceu 63%. 6) Rohter criar celeuma do logo da Human Rights Watch que aparece um segundo na tela, durante o debate sobre o duplo padrão de Washington em relação aos direitos humanos. O filme não sugere nada sobre a HRW. O diretor da HRW Américas, José Miguel Vivanco, confirma exatamente o que o filme diz, que existe um duplo padrão nos EUA, que se foca nas alegações de abusos contra os direitos humanos na Venezuela; ignora alegações graves, e com mais substância na Colômbia. "É verdade que muitos dos ferozes críticos de Chávez em Washington fecharam os olhos para os estarrecedores registros de violação aos direitos humanos na Colômbia", diz Vivanco. 7) Rohter ataca o co-roteirista Tariq Ali por dizer que "o governo [da Bolívia] decidiu vender o fornecimento de água de Cochabamba para a Bechtel, uma empresa americana". Rohter escreve. "Na realidade, o governo não vendeu o fornecimento de água, ele concedeu o gerenciamento do fornecimento por 40 anos a um consórcio que incluiu a Bechtel". Rohter declara: "Vender o fornecimento de água" a interesses privados é uma descrição mais justa do que aconteceu do que "concedeu o gerenciamento do fornecimento por 40 anos". As empresas obtiveram o controle do fornecimento de água à cidade e o lucro de sua venda. Demos a Rohter quantidade de informações para sustentar os principais pontos do filme. Ele ignorou os principais aspectos do filme, selecionou citações que não estavam relacionadas a fatos e poderiam ser usadas para ilustrar o que ele considerou tendencioso no diretor e co-autor. Isso não é jornalismo ético; na verdade é questionável se isso sequer é jornalismo. Foi apresentada a Rohter evidência detalhada e documentada do envolvimento dos Estados Unidos no golpe de 2002. Ponto essencial do filme, e corroborado no filme pelo depoimento do editor do Washington Post, Scott Wilson, que cobriu o golpe de Caracas. Nas conversas com Rohter, ele dispensou todas as evidências e nada disso apareceu no seu artigo.

O filme critica o corpo editorial do The New York Times pelo endosso ao golpe militar de 11 de abril de 2002 contra o governo democraticamente eleito da Venezuela; foi embaraçoso para o jornal. Rohter escreveu um artigo em 12 de abril que foi mais além do endosso do Times ao golpe. "Nem a derrubada de Mr.Chávez, um ex-coronel do exército, e nem a de Mr. Mahuad, dois anos atrás, podem ser classificadas como um golpe militar convencional na América Latina. As forças armadas não tomaram o poder na quinta-feira. Foi a expulsão de apoiadores do presidente que parecem ter sido responsáveis pelas mortes de 12 pessoas se tanto ao invés de centenas ou milhares, e os direitos políticos e garantias que foram restaurados ao invés de suspensos" - Larry Rohter, New York Times, 12 de abril de 2002. Essas alegações de que o golpe não foi um golpe - feitas não apenas por Rohter - geraram a réplica de colegas de Rohter no The New York Times, com Tim Weiner, que escreveu um artigo dois dias depois no Sunday Week in Review chamado "Um golpe com qualquer outro nome! (New York Times, 14 de abril 2002).

Rohter se apegou às fantasias da extrema direita sobre o golpe. Alguém que apóia a derrubada militar de um governo democraticamente eleito não goste de um documentário como esse, porque celebra triunfos da democracia eleitoral na América do Sul na última década. Ele tem como obrigação informar aos seus leitores que o New York Times estava sendo atacado no documentário e também sobre seus próprios artigos: Em 1999 e 2000, ele cobriu a Venezuela para o Times, escrevendo muitas reportagens anti-Chávez. As reportagens tendenciosas e distorcidas da mídia sobre a América Latina são o tema principal do documentário, o que Rohter ignorou nas 1.665 palavras que tentaram desacreditar o filme.

Stone perdeu horas com Rohter dois dias e deu a ele toda a informação que ele solicitou, apesar da hostilidade desde o início, porque estava determinado a apresentar sua narrativa de intrépido repórter expondo descuidada produção cinematográfica. O resultado é uma tentativa muito desonesta de desacreditar o filme apresentando-o como factualmente impreciso - usando declarações enganosas, fora de contexto, trechos pinçados de entrevistas com o diretor e roteiristas, e ataques ad hominem (falaciosos). O Times deveria se desculpar de ter publicado isto.
 
Isso ainda  vai longe.

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