terça-feira, 29 de junho de 2010





Baby da Europa




LUTO NO TEATRO



Morre aos 66 anos o escritor Alberto Guzik. Morreu na manhã deste sábado o crítico, escritor, diretor e ator Alberto Guzik. Um dos fundadores e diretor pedagógico da SP Escola de Teatro. Alberto estava internado no Hospital Santa Helena em São Paulo desde fevereiro, lutando contra um câncer. A causa da morte foi falência múltipla de orgãos. Seu corpo foi cremado no crematório da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo. O escritor deixa ainda sem publicação uma nova obra de ficção, "Um palco iluminado", romance que enfoca a vida de uma companhia teatral em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990. Alberto escrevia também no blog 'Os dias e as horas' . Seu último post data de dois dias antes da internação em 17 de fevereiro. Definiu-se no Twitter com a frase: "Sou um homem de teatro. E das letras. E das artes, quase todas."

Sobre seu trabalho, Alberto Guzik declarou à enciclopédia de teatro do Itaú Cultural: "Nunca vinculei minha observação do fenômeno teatral a uma visão partidária, nunca acreditei que o teatro 'correto' tem de expressar tal ou qual ponto de vista. Acho que, ressalvados textos ou produções que demonstrem intentos anti-humanos, totalitários, todo teatro é válido. E é bom que se tenha de tudo, desde a farsa rasgada até o mais rigoroso teatro de pesquisa, do musical importado ao nacional, da dramaturgia brasileira à mundial, dos atores e diretores veteranos aos jovens estreantes. Eu acredito no teatro brasileiro".
Professor de matérias teóricas e práticas na EAD, USP e no Teatro-Escola Macunaíma, Alberto formou algumas gerações de artistas. Depois de quase 40 anos sem pisar no palco, em agosto de 2003, retoma sua carreira de ator. O retorno se dá com a peça "O horário de visita", de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez, no Teatro do Centro da Terra. Entre 2007 e 2009, participa dos teleteatros "O Vento nas Janelas" e "A Noiva" e da minissérie "Além do Horizonte", todos produzidos e exibidos pela TV Cultura.

E hoje, recebo aqui na Europa um texto sobre Guzik do amigo querido Edison Mello, que publico na integra: "Perdemos Guzik, grande critico, ator e amigo".
      Todos nós que de alguma forma pertencemos à classe artística, ou  teatral, lamentamos a ausência de mais e melhores críticos de teatro. Poucos tem a grandeza, formação e competência de um Sábato Magaldi, Jefferson Del Rios e  ou Alberto Guzik. Na verdade, fomos companheiros de redação muitos anos, no Jornal da Tarde, numa época em que este era ainda um dos melhores jornais do Brasil. Guzik assumindo o lugar de Sábato que estava se aposentando (Sábato além de amigo, foi meu professor na USP e me passou muito sobre a difícil tarefa de escrever sobre uma arte tão difícil, tão perecível sem ofender as pessoas que a exercem, sem posar de Deus. Mas também sem ser superficial ou vulgar, caindo na piada).Como se confirmou  na cerimônia em Vila Alpina, não havia quem não gostasse de Guzik. Era um grande amigo, companheiro, uma pessoa inteligente, confiável e sempre inquieto, criativo.
       Sempre o admirei também por sua corajosa opção de voltar a ser ator, de dar a cara para bater participando de um grupo de vanguarda como o Satyros, se expondo sem pudor, e crescendo a cada participação e espetáculo. E quando começamos a Coleção Aplauso, é claro que contamos com sua participação, inclusive foi ele quem escreveu a historia do Satyros e estava preparando uma biografia de Helena Ignez, que ficou incompleta. Tivemos também o prazer de lançar um livro de suas obras teatrais (claro, como bom homem de teatro, ele era um escritor talentoso) e transcrevo aqui a contra capa que eu escrevi na ocasião para O Teatro de Alberto Guzik
      Você conhece Alberto Guzik como critico teatral, ator, diretor, professor, diretor e colaborador  da Coleção Aplauso (para onde escreveu biografias de Naum Alves de Souza (Imagem, Cena, Palavra) e a Cia de Teatro Satyros (Um Palco Visceral).
       Paulistano, Guzik começou no grupo de teatro de Júlio Gouvêa e Tatiana Belinky, cursou a Escola de arte Dramática,se tornando depois critico de teatro do Shopping News, Ultima Hora, Isto é e de 1984 a 2001, do Jornal da Tarde. 
       Além de romancista e contista premiado (Risco de vida, 95, O Que é Ser Rio, e correr), ele apresenta aqui sua produção como dramaturgo, com uma introdução de seu discípulo e também dramaturgo Sérgio Roveri, que conclui: os quatro textos são de alguma forma sobre o mesmo tema: a solidão dos que vivem acompanhados.
Em Um Deus Cruel, Guzik mostra a discussão entre um grupo de teatro durante um ensaio. Cansei de Tomar Fanta fala de um casal de namorados indeciso entre assistir ou não um espetáculo que começará em instantes. A partir de uma lata de refrigerante, entabulam uma discussão sobre suas preferências pessoais. Na  Noite na Praça gira em torno do furto de um vaso de cemitério fazendo uma radiografia da sociedade  atual. Errado é sobre os encontros de um intelectual  velho e solitário com um jovem balconista de lojas.
        Tem pessoas que nos fazem falta, que tinham muito a contribuir, que não são substituíveis. Guzik era uma delas.
        Rubens Ewald Filho

E eu vou dançar pra você Guzik aqui em Camargue - Saintes Maries de la Mer - na festa dos ciganos e atores de rua. Você vai gostar com certeza!

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